A delação de Nicolás Maduro já corre pelos corredores de Washington. Quando um ditador é capturado pelos Estados Unidos e colocado sob pressão do sistema judicial americano, a lógica é simples: negociar, entregar nomes e tentar reduzir a pena.
Os EUA capturaram Maduro e o levaram à Justiça por crimes ligados ao narcotráfico, terrorismo e corrupção.
Embora Maduro tenha se declarado inocente em audiência, o gesto que importa não está no discurso, está na estratégia. A contratação de um advogado conhecido por negociar acordos, o mesmo que atuou no caso Assange, aponta para um caminho claro: Maduro já trabalha com a hipótese de cooperar, possivelmente por meio de delação, trocando informação por sobrevivência.
E é aí que o Palácio do Planalto entra no raio de impacto.
Há anos, denúncias apontam que o chavismo usou dinheiro do narcotráfico para financiar projetos de esquerda na América Latina. Hugo “El Pollo” Carvajal citou Lula como beneficiário desse esquema. Marshall Billingslea, ex-secretário assistente do Tesouro dos EUA, afirmou que o regime venezuelano canalizou “dinheiro sujo e corrupto” para financiar campanhas de esquerda, citando México e Brasil, em audiência no Senado americano.
Isso se encaixa num fato público: o elo histórico entre Lula e o chavismo. Lula foi aliado de Chávez e fez campanha para a eleição de Maduro em 2013. Agora, com Maduro encurralado, esse histórico vira combustível para um terremoto político.
Uma eventual delação não precisa inventar nada: basta detalhar operadores, intermediários, encontros e fluxos. Se Maduro falar e o nome de Lula entrar nessa história, o governo vira refém de uma crise com Washington e de um desgaste interno capaz de paralisar o país.
Por isso o diagnóstico é direto: se Maduro falar, Lula cai. Cai politicamente, cai em credibilidade, cai em capacidade de governar. Porque Washington não aperta com discurso, aperta com dossiê. E ditador pressionado raramente escolhe o silêncio.
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